A procura de uma uva com aromas extravagantes no âmbito de realizar um vinho frutado com bela acidez, meu amigo enólogo uruguaio me aconselhou encontrar o Merlot do Isidoro.

Com um pedacinho de papel e orientações imprecisas, começa uma volta de 400kms a procura do Merlot do Isidoro. Na Europa, todos os destinos são devidamente indicados, no pior dos causos um pedestre pode lhe informar o caminho mais certo para alcançar seu destino. La, não tinha uma indicação, nada, ninguém: complicado quando a próxima cidade fica uns 35 kms…

Avisando uma estrada de chão à direita, entro nela. La, dois jovens me pedem carrona e me dizem saber onde mora o homem das uvas: “Tu andas uns 5 minutos e vira a direita. Depois, andas, uns 3-7 kilometros e pegas a esquerda. O cara que tu estas procurando fica atras do segundo morro.” Legal!

Apos atravessar uma ponte de arroios turbulentos, acabei encontrando o “homem do Merlot”. Ele me recebe junto com a mulher dele e seus dois filhos, sendo um deles um futuro agrônomo.

O mês de agosto, no meio do inverno, não é o momento mais revelador para se visitar vinhedos, mas o Isidoro me mostra com orgulho suas videiras, o orgulho dele de produzir uvas sem doença nenhuma.

Ele tem 1 hectare, apenas hum hectare. O vinhedo mais perto fica uns 65 kms de la. Ele acredita na paixão dele, ele esta certo. O Isidoro é o homem que me da vontade de levar este projeto para frente.

O merlot que ele plantou provem do viveiro italiano VCR, Vivai Cooperativi Rauscedo, enxertado no Paulsen, porta enxerto que procura grande vigor na planta.

Por sorte ou instinto, Isidor escolheu um clone de Merlot, o R3: ele proporciona aromas redondos porem guarda uma boa acidez e elegância, que me permitiram escolher esta casta e esse lugar da Campanha Gaucha para realizar um rosado frutado, fresco e elegante.